L'INFINIT I LA LLUNA...

L'instant més callat de la nit es produeix quan el brogit lentament acumulat es transforma en zero. La lluna dibuixa exactament el número més ínfim i obstinadament solitari... el no res i el tot, l'infinit perfecte...

divendres, 18 de juny de 2010

In memoriam

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José Saramago
1922-2010

Cerremos esta porta.
Devagar, devagar, as roupas caiam
Como de si mesmos se despiam deuses,
E nós o somos, por tão humanos sermos.
É quanto nos foi dado: nada.
Não digamos palavras, suspiremos apenas
Porque o tempo nos olha.
Alguém terá criado antes de ti o sol,
E a lua, e o cometa, o negro espaço,
As estrelas infinitas.
Se juntos, que faremos? O mundo seja,
Como um barco no mar, ou pão na mesa,
Ou rumoroso leito.
Não se afastou o tempo. Assiste e quer.
É já pergunta o seu olhar agudo
À primeira palavra que dizemos:
Tudo.

In Poesía completa, Alfaguara, pp. 636-637

(traducció)

4 comentaris:

el paseante ha dit...

És xulo que l'hagis posat en la seva llengua materna.

Striper ha dit...

Que bonic , que poetic es el portugues.

Elvira FR ha dit...

Nao digamos palavras

Carme ha dit...

...suspiremos apenas
porque o tempo nos olha.

Bon homenatge!

Admirat J.Saramago!